Os periodos de caverna fazem parte da nossa historia de relacionamento com Deus. Como em quase todos os casamentos, eles sao quase que inevitaveis. São na vida onde somos confrontados com a nossa humanidade caida e nossas limitações. É quando percebemos o quanto não somos nada e não temos nenhum poder. Este reconhecimento pode me levar pra mais perto de Deus ou me lançar prá bem longe dEle.Quando conhecemos Deus realmente passamos a ter menos condições ainda de sermos alguma coisa. Acho que quando conheco Deus passo a ter menos condicoes de ser uma boa esposa do que alguem que não o conhece. Quanto mais temos entendimento de quem é este Deus tão íntimo e ao mesmo tempo tão poderoso, mais fraca eu me torno, para que eu possa realmente servi-lo.
Só que esta fraqueza pode me levar a depender de experiencias alheias. Estas experiencias podem se tornar muletas na nossa vida espirtitual. Só que de novo Deus aos poucos vai tirando e nos dando chance de aprender a caminhar so.
Porém neste processo de aprendizado, podemos perder Deus de vista, embora Ele esteja sempre por perto.
Somos chamados a caminhar sem muletas, mas não independentes. Entender como isto funciona é difícil. Achamos muitas vezes que o fato de uma muleta estar sendo retirada, faz que tenhamos liberdade e independencia que são falsas. Eh neste momento que entramos nas cavernas. Ai eu desisto de ser filha, de ser a esposa que Ele planejou eu fosse, de ser a mãe que possa representa-lo de maneira adequada para que meus filhos entendam o carater dEle. É neste momento que vendo meu direito de primogenitura, me comparo com os outros, me envolvo em prazeres passageiros, percebo que minha fé em Deus não eh tão genuina como eu imaginava que fosse.
Me lembro que mesmo quando estava já a dois anos no campo missionário, Deus me revelou que minha fé ainda era baseada na minha criação cristã. Jesus tinha se tornado um prato de arroz com Feijão que eu sentia necessidade de comer todos os dias, devido a tradição que tinha sido imposta de forma carinhosa, saudavel e sábia pelos meus pais. Porém eu não era mais uma criança e minha fé não poderia mais estar baseada nos ensinamentos dados por eles somente. Era chegado o momento onde tinha que me levantar por mim mesma. Caminhar com minhas proprias experiencias, conhece-lo de verdade. Aceita-lo independente da minha boa e bonitinha reputação. Entender que o amor dele era independente do fato de eu ser boazinha ou não. Entender que ele me amava mesmo quando pensamentos sujos invadiam a minha mente e que por mais que isto o deixasse triste, ele nao desistia, nem tão pouco me abandonava.
Foi ai que em uma noite, no meio de um monte de missionarios, Deus me convidou a aceita-lo no meu coração. Achei ridícula a proposta dele a princípio. O que as pessoas iriam pensar de mim? Eu ja era uma missionária, que estava envolvida em projetos. Isto podeia não soar muito bem. Mas ele continuava ali, me convidando a não mais escolhe-lo como consequência de uma boa criação, mas me convidava a ama-lo. Me fazia a proposta de me tornar mais íntima. Era como se fosse um pedido de casamento com a condição que eu aprendesse a ama-lo. Eu não sabia como fazer isto. Foi ai que ele me disse, ” Pelo menos diz que vc quer e ai eu vou poder te ensinar”. Eu so precisava dizer “Eu quero te receber no meu coração e deixar vc se tornar meu amado, permitir que vc me conheça sem pudor” Como foi difícil fazer esta escolha. Eu tentei convence-lo a fazer um compromisso secreto, sem que ninguém ficasse sabendo, mas de novo Ele não parecia aceitar. Para que pudesse me doar plenamento prá eEle, era necessário que esta escolha se tornasse pública, para que ele pudesse ter direitos sobre a minha tão fragilizada vida.
Depois de muita luta eu me entreguei. Abri minha boca e me entreguei por completo. Escolhi ser dele. Não pelo medo do inferno, de pecar, e pelo que meus pais me ensinaram, mas simplesmente porque eu queria. Naquele momento eu abandonei, minha familia, para me tornar digna dEle e ali naquela reunião eu troque alinças com Ele.
Aquela noite foi apenas o inicio desta caminhada que teve um monte de cavernas. Momentos onde me senti deprimida, que quiz abandonar missões, deixar meu marido, deixar de viver, não quiz ser mãe, parei de orar, ler a Bíblia, deixei de reconhecer a presença dEle na minha vida, passei a viver de aparencias muitas vezes ou na sombra de experiencias do passado. mas o mais importante foi que durante todos estes momentos eu nunca deixei de acreditar no amor dele por mim e foi isto que me ajudou a sair de cada uma destas cavernas. Não sei quantas mais eu vou ter pela frente. Mas de uma coisa eu sei, Ele vai sempre estar me esperando do lado de fora da caverna. E se eu demorar a sair de lá, ele vai entrar, se tiver dormindo ele vai me despertar, se tiver chorando ele vai enxugar minhas lagrimas, se tiver com medo ou me sentindo só ele vai me abraçar. Se tiver suja ele vai me limpar. Se tiver com vergonha ele vai me cobrir.



